Arquitetura Gótica - Características e onde encontrar

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Arquitetura Gótica – Características e onde encontrar

  • 17 de maio de 2019
  • Brenopessoa
  • Já conhece a Arquitetura Gótica? Confira o post e saiba quais são as opções que o estilo pode trazer para os seus projetos!

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    O termo “gótico” é popularmente usado para descrever o estilo de vida dos amantes da cor preta e é tendência forte no mundo da moda. Mas a história por trás da palavra é bem diferente.

    O conceito é derivado da arquitetura e é, sem dúvida, um dos mais impressionantes que temos até hoje. Rica em detalhes e marcada por grandes construções, a Arquitetura Gótica é parte da história da Europa e alguns de seus aspectos podem ser aplicados nos projetos atuais de decoração.

    Quer saber mais sobre esse estilo? Então, não deixe de ler o post para se inspirar!

    Características da Arquitetura Gótica

    Também conhecido como “obra francesa”, o estilo surgiu ao norte da Europa em meados da Idade Média, que durou entre os séculos V e XV.

    Essa forma de expressão veio depois da Arquitetura Românica (derivada das características arquitetônicas da Roma Antiga, prevendo a construção de edifícios preparados contra invasões e conflitos), e precedeu o movimento Renascentista (que propõe a volta dos padrões artísticos clássicos).

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    A Arquitetura Gótica é tida como um marco na história do continente europeu e das artes em geral, uma vez que rompeu com o modelo de construção vigente e se tornou uma vertente inovadora. O estilo surgiu em meados do século XII e foi padrão para as construções até o século XV.

    O gótico trouxe as famosas abóbadas ogivais. Elas permitiam a ampliação das dimensões laterais e possibilitavam que as construções fossem mais altas e, consequentemente, maiores.

    Essa técnica também tornou os projetos flexíveis, fazendo com que as colunas deixassem de ser largas e grandes para terem formato discreto e visual leve.

    O estilo é conectado às práticas religiosas mais fortes da época, em especial o catolicismo — o que faz com que suas características estejam muito presentes em igrejas, catedrais e edifícios públicos. Em geral, as plantas dos projetos tinham formato de crucifixo, por isso a iluminação do interior era tão importante.

    Consideradas símbolos religiosos, as obras arquitetônicas e seus aspectos construtivos eram baseados no comportamento da sociedade e nas influências que comandavam as relações.

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    Por isso, muitos prédios se caracterizam pelo visual vertical, com elementos que apontam para o céu, e pela sensação de superioridade e supremacia.

    Exemplos de obras na Europa

    As construções mais conhecidas que representam o estilo estão na França, mas é possível encontrar exemplares magníficos em outros países, como Alemanha e Itália. Confira abaixo as principais obras e suas características!

    CATEDRAL DE CHARTES

     arquitetura gótica

    Catedral de Chartes construída sobre os alicerces de uma antiga igreja, em 1145

    Localizada em Chartres, noroeste da França, essa catedral também foi construída sobre os alicerces de uma antiga igreja, em 1145. A edificação de 34m de altura e 130m de comprimento não sofreu tantos danos durante a Revolução Francesa, mas teve sua cobertura atingida por um incêndio em 1194.

    A catedral de Chartres foi uma das primeiras a utilizar elementos arcobotantes para sustentar as paredes e abóbadas. Mesmo após passar por diversos processos de restauração ao longo do século XIX, conseguiu preservar vários de seus aspectos originais.

    Em 1979 foi designada como Patrimônio Mundial da UNESCO, e hoje apresenta características de destaque, que incluem:

    • alpendres adornados;
    • três fachadas com enormes rosáceas;
    • numerosas esculturas em madeira ou pedra: variam entre miniaturas e grandes estátuas;
    • famoso conjunto com 176 vitrais;
    • labirinto composto por mármore preto e branco;
    • elementos que fazem alusão ao Antigo e Novo Testamento.

    CATEDRAL DE AMIENS

     arquitetura gótica

    Catedral de Amiens é considerada a maior estrutura gótica do país e conhecida como “Partenon da arquitetura francesa”

    Localizada em Amiens, cidade do norte da França, é considerada a maior estrutura gótica do país e conhecida como “Partenon da arquitetura francesa”. A primeira versão foi erguida em 1152, mas sofreu danos devido a um incêndio ocorrido em 1218.

    O processo de reconstrução só teve início em 1220 com o trabalho do arquiteto Robert de Luzarches, quando a catedral ganhou parte dos elementos que traz hoje.

    A edificação tem incríveis proporções que conferem maior verticalidade e elegância em relação a outros exemplares da época: 42,3m de altura, 145m de comprimento e 70m de largura. Diferentemente da catedral de Chartres, suas fachadas são bastante decoradas com detalhes que incluem as famosas gárgulas e rosáceas.

    No século XIX, a construção recebeu diversos trabalhos de restauração sob o comando do arquiteto Eugène Viollet-le-Duc, que acrescentou elementos que nunca existiram na Idade Média. Tombada como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1981, a catedral traz características interessantes, como:

    • belos vitrais, incluindo as rosáceas;
    • coro com grades em estilo rococó (1768) e rodeado por vários altares;
    • portais com esculturas que representam os santos católicos;
    • grandes alpendres que ocupam toda a fachada oeste;
    • interior com estátuas policromadas.

    CATEDRAL DE COLÔNIA

    É um dos monumentos mais visitados no interior da Alemanha e também conhecido como Kolner Dom ou Igreja dos Santos Pedro e Maria. Seu processo construtivo teve início em 1248, mas as obras continuaram até 1560.

    Em 1790, as tropas da Revolução Francesa transformaram seu interior em estábulo e celeiro de feno. Em 1820, um defensor do movimento neogótico (Sulpiz Boisserée) deu início ao trabalho de restauração que, após pausas e retomadas, foi finalizado em 1880 — com a contribuição dos arquitetos Ernst Friedrich Zwirner e Richard Voigtel.

    A catedral, que foi considerada Patrimônio Mundial da UNESCO em 1996, tem 43m de altura, 145m de comprimento e 86m de largura. Veja alguns de seus principais elementos:

    • torres gêmeas com 157m de altura;
    • pinturas preciosas e afrescos;
    • arte dos séculos XIII e XIV;
    • vitrais do século XIX com histórias do Velho Testamento;
    • coro com 104 bancos de carvalho esculpido;
    • maior sarcófago da Europa, coberto com prata folheada e pedras preciosas;
    • câmara do tesouro contendo manuscritos, relicários e instrumentos litúrgicos.

    CATEDRAL DE SANTA MARIA DEL FIORE

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    Catedral de Santa Maria del Fiore também conhecida como Duomo de Florença

    Também conhecida como Duomo de Florença, essa catedral gótica exigiu trabalho de diversos artistas importantes. A tarefa de supervisionar a obra foi designada primeiro ao arquiteto Arnolfo di Cambio, em 1296. Em 1331, a missão foi passada para Giotto di Bondone, depois Filippo Brunelleschi e, mais tarde, para outros profissionais.

    Em 25 de março de 1436, a igreja — que continua sendo uma das maiores da Itália — finalmente foi consagrada. Ela tem cerca de 153m de comprimento, 38m de largura e 114m de altura. Além da enorme estrutura de arcos e colunas, é possível encontrar os seguintes elementos:

    • vitrais representando santos do Novo e Velho Testamento;
    • mosaico com mármores coloridos na fachada;
    • portas de bronze com cenas em relevo;
    • afrescos de Giorgio Vasari e Federico Zuccari;
    • monumentos a Dante e bustos de Giotto, Brunelleschi e outras figuras importantes.

    Dante Alighieri escreveu que tinha o costume de sentar em uma pedra próxima da catedral para pensar. Inclusive, há um lugar em Florença chamado pelos cidadãos de “pedra de Dante”. O local representa a área onde o poeta permanecia enquanto assistia ao início da construção do grande Duomo.

    CATEDRAL DE NOTRE-DAME

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    Igreja de Notre Dame em Paris, é a mais famosa das catedrais góticas da Idade Média

    A catedral gótica mais visitada do mundo está localizada na Île de la Cité, em Paris. Sua ideia surgiu da proposta feita pelo rei Luís XVII e pelo bispo Maurice de Sully. Construída sobre as ruínas de duas outras pequenas igrejas existentes no local, entre os anos de 1163 e 1345, a catedral ostentava 130m de comprimento, 48m de largura e 35m de altura.

    Sua arquitetura também apresenta certa dualidade nas influências. Existe uma forte influência românica e compacta, ao mesmo tempo em que inova na construção vertical, criando uma estrutura com suporte exterior — espécie de apoio de sustentação visto do lado de fora da Catedral, ornando com a borda do Rio Sena de Paris.

    O momento de sua construção serviu também para marcar a dominação da França como centro cultural, econômico e religioso da Europa. Uma época em que até a sede do Papa foi transferida para o país — marcando a fase do papado de Avignon.

    No início de sua construção, a água fluía diretamente dos telhados até a via pública, numa projeção oferecida pelas cornijas. Ainda não haviam calhas ou gárgulas, estas foram erguidas em 1220, sobre algumas partes da catedral, formando uma espécie de canal.

    Ao longo dos anos, os arquitetos do século XIII foram percebendo as vantagens de dividir o fluxo de água, aumentando, assim, os números de gárgulas, que passaram a assumir também a forma de animais fantásticos.

    Tal manobra evitou as longas inclinações nas calhas e reduziu cada uma das quedas d’água a um fluxo mais fino. Dessa forma, as construções nas partes inferiores não tinham sua integridade afetada pelo depósito de água.

    As gárgulas passaram a simbolizar uma Notre-Dame da arquitetura fantástica e sua existência deu origem a histórias criadas pelo imaginário de seus frequentadores. Alguns diziam que as gárgulas afastavam os maus espíritos, ideia que trazia ainda mais turistas para o monumento. Tanto que as gárgulas foram se multiplicando e ganhando temas cada vez mais decorativos na fachada da catedral.

    A escola de escultura de Paris, na Idade Média, mantinha uma superioridade reconhecida, principalmente em relação aos estudos de estátuas, uma vez que a cidade possibilitava o acesso à matéria-prima ideal assim como também aos melhores pontos para construção, atraindo, dessa forma, artesãos experientes que faziam passar seus conhecimentos.

    A catedral ainda passou a contar com 56 quimeras, estátuas que foram acrescentadas em sua fachada durante as reformas de 1847 e 1864. Estas mantinham a função meramente decorativa, embora fossem confundidas com as gárgulas. Os seres de aspecto grotesco e mágico serviam apenas para dar mais ênfase à ambientação fantástica que fora enaltecida no livro de Victor Hugo, Notre-Dame de Paris, traduzido para sua versão cinematográfica como o Corcunda de Notre-Dame.

    • estátuas;
    • esculturas de mármore;
    • coleção de sinos;
    • vitrais em forma de rosáceas;
    • artefatos da igreja católica: vestimentas, cálices sagrados e livros.

    Foi, inclusive, por considerar que sua manutenção carecia de mais estímulos que o escritor francês escreveu a peça Notre-Dame, inspirado também numa inscrição nas paredes da catedral, enquanto fazia uma visita.

    Situação essa que relata nas primeiras páginas de sua obra, onde rende um verdadeiro culto à arquitetura e à beleza das fachadas e construções, comparando as obras arquitetônicas aos grandes livros. “A Arquitetura tem sido o grande gênero humano. E isso é tão verdadeiro que não somente todo símbolo religioso, mas ainda todo pensamento humano tem sua página neste livro imenso e seu monumento”, escreve em uma passagem.

    Idealizada com vitrais e longos corredores abertos — característicos da arquitetura gótica —, a Catedral acolhe uma acústica única, ideal para missas, mas também para concertos. Nela está localizado o segundo maior órgão da França, construído em 1733 e restaurado diversas vezes. Com quase 8 mil tubos e transmissão digital para os 5 teclados, suas apresentações causavam arrepios e faziam parte das atrações mais buscadas de Paris.

    No dia 15 de abril de 2019, a Cidade Luz assistiu a um de seus símbolos serem consumidos por um fogo que, até então, ainda não tinha explicação. As gárgulas que recebiam a incumbência de afastar o mal e proteger sua catedral, não tiveram tempo de escapar do fogo que levava consigo parte da história da França: a autocoroação de Napoleão, o templo do Culto da Razão estabelecido durante a Revolução Francesa — quando a catedral foi confiscada da igreja católica — e no início do século XX, a beatificação de Joana D´Arc.

    Incêndio atinge a Notredame (Foto: Francois Guillot/AFP)

    A flecha, ponto mais alto da Notre-Dame, inaugurada em agosto de 1859, desmoronou no início daquela noite de primavera. Incrédulos, parisienses e turistas viam cair a estrutura de 96 metros, com 250 toneladas de chumbo e quase 500 toneladas de madeira, idealizada pelo arquiteto Eugène Viollet-le-Duc

    No dia seguinte ao incêndio, mais de um bilhão de reais já haviam sido levantados para a reconstrução da obra. A estrutura interna, felizmente, pouco se abalou. Os vitrais resistiram, assim como, corajosamente, o órgão também sofreu pouco com o desastre. Embora o teto tenha ficado muito comprometido, de alguma forma, as palavras de Victor Hugo ainda faziam eco naquela obra, patrimônio da humanidade.

    Isso significa que, apesar dos danos, o monumento sobreviverá e será restaurado. Passará novamente por uma reconstrução, mantendo imortalizada a sua beleza gótica e seu cenário para muitas outras histórias.

    Exemplos de obras pelo mundo

    Fora da Europa, o neogótico foi o movimento revivalista que trouxe de volta os elementos góticos aplicados nas construções originais da Idade Média. Ele ressurgiu no século XVIII e foi muito forte nas Américas, principalmente, no Brasil e nos Estados Unidos.

    Por exemplo: a Catedral Metropolitana de São Paulo (conhecida como Catedral da Sé) e a Catedral de Petrópolis se tornaram símbolos de suas cidades. Já as construções americanas de destaque são Woolworth Building, localizada em Nova York, e parte da Universidade de Yale, construída nos moldes góticos, mas com referências um pouco mais modernas.

    O estilo aplicado em projetos atuais

    Construções que carregam história sempre despertam a imaginação e trazem ideias para compor ambientes contemporâneos.

    Com o estilo gótico não é diferente, afinal, são novas formas, superfícies, cores e texturas para inovar na decoração. Veja algumas dicas que separamos para você aplicar em projetos atuais!

    APOSTE NO PÉ-DIREITO ALTO

    Como já mencionamos, o novo modelo de construções, com alturas impressionantes e paredes mais leves, foi um marco e permitiu que a edificação fosse aproveitada de outras maneiras.

    Em vez de simples paredes, eram usadas grandes janelas e vitrais que coloriam o ambiente interno e facilitavam a entrada de luz natural. Esses elementos ressaltavam personagens e passagens bíblicas ou desenhos variados, como mandalas, estruturas geométricas e flores.

    Para os projetos atuais, os vitrais podem ser opções pouco modernas e, talvez, cansativas. Mas o formato triangular das janelas, as misturas de cores e os desenhos ainda podem e devem servir de inspiração.

    ADOTE O ESTILO GÓTICO SUAVE

    Esse termo é muito popular nas redes sociais e, apesar de não ser tão influenciado pela Arquitetura Gótica do século XII, representa parte do que o movimento propunha e mistura os estilos dark e vintage.

    Um ambiente com inspirações góticas, nesse caso, apresenta paredes com tons mais fechados e escuros, tendendo para o cinza-chumbo, preto, azul-marinho e verde-musgo.

    A decoração é nada óbvia e conta com elementos clássicos e rebuscados, combinados a objetos divertidos e coloridos, geralmente garimpados em brechós e antiquários.

    É interessante apostar em livros antigos, luminárias com estruturas inusitadas, pinturas misteriosas, esculturas, caveiras e flores, além de poltronas e sofás com grandes esqueletos. Para quebrar o clima dark, podem ser inseridos quadros divertidos, artigos decorativos coloridos e plantas.

    DEIXE O AMBIENTE ELEGANTE COM MUITOS DETALHES

    O estilo também pode ter um visual mais clássico, isto é, requintado e trabalhado. A melhor dica para elaborar projetos com ar gótico chique é se inspirar no interior das catedrais e igrejas da época.

    Essa estética é composta por elementos com muitos detalhes, texturas e desenhos graciosos, que ao mesmo tempo são discretos e combinam com um cômodo claro e calmo.

    Em projetos contemporâneos, essas características podem ser aliadas a mobiliários imponentes em estilo clássico e sólido, em conjunto com artigos metálicos (dourados, de preferência), obras de arte, revestimentos nobres e colunas.

    VALORIZE MÓVEIS E OBJETOS COM O MINIMAL GOTHIC

    Diferentemente das inspirações suave e clássica, o minimal gothic mostra que os elementos podem ser o centro das atenções nos ambientes que remetem à Arquitetura Gótica.

    As paredes coloridas ou cheias de detalhes perdem espaço para tonalidades sólidas e cores como o branco, o gelo e o bege. Como a atenção estará toda nos móveis e objetos decorativos, o ideal é optar por tons fortes e escolher sofás, poltronas, quadros e artigos que têm destaque.

    A simplicidade do ambiente estará em contraste com os elementos metalizados, botânicos, clássicos e com aparência industrial, por exemplo. É interessante apostar em texturas e tecidos, como o veludo e o couro, para um visual dramático e elegante. Sem contar que objetos de ferro, de vidro e de pedra também podem se tornar componentes incríveis do espaço.

    E então, o que achou da Arquitetura Gótica e das inspirações para projetos atuais? Aproveite a gama de revestimentos disponíveis para reproduzir os materiais mais empregados na decoração interna e externa das obras históricas.

    Via: archtrends

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